O protetor auricular é um Equipamento de Proteção Individual (EPI) usado para reduzir a exposição do trabalhador ao ruído quando essa proteção é necessária dentro das medidas de prevenção adotadas pela empresa.
O tema merece atenção porque a Organização Mundial da Saúde estima que, até 2050, cerca de uma em cada quatro pessoas poderá viver com algum grau de perda auditiva.
No ambiente de trabalho, a proteção deve combinar avaliação do risco, escolha adequada do equipamento, orientação, ajuste correto e uso consistente.
Na SIPAT, esse assunto pode sair da teoria e virar uma demonstração prática que ajuda o colaborador a entender não apenas que deve usar o EPI, mas como usá-lo de forma correta.
O que é protetor auricular e para que ele serve?
O protetor auricular, também chamado de protetor auditivo, é um EPI destinado a reduzir o nível de pressão sonora que chega ao sistema auditivo. Ele não elimina o ruído da fonte e não substitui medidas de engenharia ou organização do trabalho.
Por isso, deve integrar uma estratégia mais ampla de proteção auditiva no trabalho, com seleção baseada nos riscos identificados e nas condições reais da atividade.
A NR 6 reconhece protetores auditivos circum-auriculares, de inserção e semiauriculares. No cotidiano das empresas, os dois formatos mais conhecidos são o protetor de inserção, popularmente chamado de plug, e o protetor tipo concha ou abafador. Ambos podem ser adequados, mas a escolha não deve ser feita apenas por preferência pessoal ou pela aparência do equipamento.
Protetor de inserção (plug)
O protetor de inserção é colocado na entrada ou no canal auditivo, conforme o modelo. Há versões moldáveis de espuma, que precisam ser comprimidas antes da colocação, e versões pré-moldadas, que já possuem formato definido.
Essa diferença é importante porque o procedimento correto de colocação muda de um produto para outro. A orientação deve sempre respeitar o manual do fabricante e as instruções fornecidas pela empresa.
Protetor tipo concha
O protetor tipo concha cobre as orelhas por meio de duas cápsulas com almofadas de vedação conectadas por uma haste. A proteção depende do contato adequado das almofadas ao redor das orelhas.
Cabelo, hastes grossas de óculos, brincos, bonés ou outros elementos posicionados entre a almofada e a cabeça podem prejudicar a vedação e reduzir a proteção efetiva.
O que falar sobre protetor auricular na SIPAT?
Falar sobre protetor auricular começa por enfatizar a importância da proteção auditiva no ambiente de trabalho, mas uma boa abordagem precisa ir além da frase “use o EPI”.
O colaborador deve entender qual risco está sendo controlado, por que o modelo foi escolhido, como realizar o ajuste e quais erros podem comprometer a proteção. Isso torna o conteúdo mais útil e reduz a distância entre informação e comportamento seguro.
- explicar que a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) pode ser irreversível e que a prevenção deve ocorrer antes de surgirem sinais percebidos pelo trabalhador;
- mostrar que o EPI reduz a exposição sonora quando é adequado ao risco, está em bom estado e é usado com ajuste correto;
- reforçar a cultura de segurança para que o uso do protetor seja entendido como parte da rotina de prevenção, e não apenas como uma obrigação incômoda;
- diferenciar protetores de inserção, concha e outros formatos previstos para proteção auditiva;
- ensinar como identificar sujeira, desgaste, deformações, rachaduras ou danos que exigem avaliação e eventual substituição;
- explicar que o protetor deve ser compatível com outros EPIs usados ao mesmo tempo, como capacete e óculos de segurança.
É sempre bom reforçar para os colaboradores que o uso desse protetor deve ser visto não apenas como uma exigência, mas como uma ação de cuidado.
Ao mesmo tempo, a responsabilidade não pode ser transferida integralmente para o trabalhador. A empresa deve selecionar o EPI de forma adequada ao risco, fornecer o equipamento nas situações previstas nas normas, orientar, treinar quando necessário e manter procedimentos para uso, conservação e substituição.
Como escolher o protetor auricular adequado ao trabalho?
A escolha do protetor auricular não deve ser baseada em uma regra genérica do tipo “plug para pouco ruído e concha para muito ruído”.
A NR 6 determina que a organização considere a atividade exercida, os perigos e riscos ocupacionais avaliados, a eficácia necessária para controle da exposição, as exigências de outras normas, a adequação ao trabalhador, o conforto e a compatibilidade com outros EPIs.
Assim, duas pessoas em setores diferentes podem precisar de soluções distintas mesmo dentro da mesma empresa.
O CA é um critério, mas não é o único
O Certificado de Aprovação (CA) identifica que determinado produto está aprovado como EPI pelo órgão competente. A NR 6 do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece que o EPI de fabricação nacional ou importado só pode ser posto à venda ou utilizado com a indicação do CA.
A existência do certificado, porém, não significa que qualquer protetor servirá para qualquer trabalhador ou nível de exposição.
Antes de usar um número de CA em treinamento, ficha ou material de SIPAT, é possível consultar a situação do equipamento diretamente no sistema oficial CAEPI. Isso evita reproduzir informação desatualizada de embalagem antiga, catálogo comercial ou material interno.
A atenuação depende do modelo e do ajuste
Os dados técnicos do protetor ajudam a dimensionar a proteção, mas o resultado real também depende do ajuste no usuário. O NIOSH, referência técnica internacional em saúde ocupacional, destaca que protetores mal ajustados podem entregar atenuação muito menor do que a esperada.
Por isso, uma SIPAT que só exibe números de redução de ruído sem ensinar colocação, vedação e checagem perde uma parte essencial da mensagem.
Também é inadequado escolher um protetor apenas pelo maior valor de atenuação disponível. Proteção excessiva pode dificultar a percepção de comunicação e sinais importantes em determinados ambientes.
A decisão técnica precisa equilibrar controle do risco, atividade, comunicação necessária, conforto, compatibilidade e instruções do equipamento.
Compatibilidade com outros EPIs
Quando o trabalhador usa vários EPIs ao mesmo tempo, um equipamento não deve comprometer o desempenho do outro.
No protetor tipo concha, por exemplo, a haste de óculos, o encaixe de um capacete ou acessórios mal posicionados podem interferir na vedação. Esse é um ótimo ponto para uma demonstração na SIPAT, porque o erro é visual e pode ser reconhecido rapidamente pela equipe.
Como ensinar a utilização dos protetores concha e plug?
A melhor maneira de ensinar a usar esses EPIs é mostrar na prática, mas sem tratar todos os modelos como se tivessem o mesmo procedimento.
O instrutor deve identificar o tipo de protetor realmente fornecido pela empresa, demonstrar o método indicado pelo fabricante e explicar quais sinais mostram que o ajuste ficou inadequado.

Como colocar o protetor tipo concha
Para o protetor concha, os passos são simples, mas a vedação precisa ser observada. Em primeiro lugar, cheque se não há rachaduras, deformações, sujeira excessiva ou danos no EPI. Em seguida, siga estas etapas:
- segure as conchas com as mãos e afaste-as para ajustar a haste à cabeça;
- coloque as conchas sobre as orelhas, deixando toda a orelha dentro da área de vedação;
- retire cabelos, brincos ou outros elementos que fiquem presos entre a almofada e a cabeça;
- ajuste a haste e confirme se as duas almofadas mantêm contato uniforme ao redor das orelhas.
Se o modelo for acoplado a capacete ou possuir sistema específico de encaixe, a demonstração deve usar exatamente esse conjunto, porque a compatibilidade faz parte da seleção correta do EPI.
Como colocar o plug moldável de espuma
Nos protetores moldáveis de espuma, a técnica normalmente envolve comprimir o material antes da inserção. É importante deixar claro que essa orientação não deve ser aplicada automaticamente a plugs pré-moldados de silicone, elastômero ou outros materiais.
Para a espuma moldável, a sequência geral é:
- higienizar e secar as mãos antes de manusear o protetor;
- inspecionar o plug e verificar se há sujeira, dano ou deformação;
- comprimir e rolar a espuma entre os dedos até formar um cilindro estreito, conforme a orientação do fabricante;
- inserir o protetor e mantê-lo na posição pelo tempo indicado para que a espuma se expanda e se ajuste.
Para plugs pré-moldados, o procedimento pode ser diferente. A SIPAT deve usar o modelo real da empresa e a instrução correspondente, em vez de ensinar uma técnica única para todos os protetores de inserção.
Como verificar se o ajuste ficou correto
Uma checagem visual ajuda, mas não substitui procedimentos técnicos de avaliação quando eles forem necessários. O protetor deve permanecer firme e confortável, sem folgas evidentes ou interferências que prejudiquem a vedação.
Se o trabalhador relata dor, pressão excessiva, dificuldade de adaptação ou necessidade constante de reposicionar o EPI, isso deve ser comunicado para avaliação da empresa.
Quais erros podem reduzir a proteção do protetor auricular?
O protetor pode estar aprovado, novo e aparentemente bem colocado, mas ainda assim perder eficácia quando o uso real não corresponde às condições previstas.
Por isso, a SIPAT deve mostrar erros comuns de forma concreta e ensinar como corrigi-los, sem transformar a mensagem em bronca.
- inserção superficial do plug: o protetor fica apenas na entrada do ouvido e não atinge o ajuste esperado;
- usar a técnica de espuma em um plug pré-moldado: diferentes modelos possuem instruções diferentes;
- deixar cabelo ou haste de óculos sob a almofada da concha: isso pode criar uma passagem para o som;
- continuar usando peças danificadas: rachaduras, almofadas deformadas e componentes frouxos precisam ser avaliados;
- retirar o protetor repetidamente em área ruidosa: o uso inconsistente aumenta a exposição acumulada;
- compartilhar protetores de uso individual sem procedimento apropriado: além de questões de higiene, isso pode contrariar a forma de uso prevista para o equipamento;
- improvisar alterações: cortar, furar, deformar ou modificar componentes pode comprometer a proteção e descaracterizar o uso previsto.
Outro erro é tratar o protetor como solução isolada. A proteção auditiva deve respeitar a hierarquia das medidas de prevenção.
Sempre que aplicável, medidas coletivas, controles de engenharia, manutenção, organização do trabalho e outras ações de redução do ruído precisam ser consideradas antes de depender exclusivamente do EPI.
O que dizem a NR 6 e a NR 15 sobre protetor auricular?
A NR 6 e a NR 15 têm funções diferentes e complementares. A NR 6 disciplina os Equipamentos de Proteção Individual, incluindo responsabilidades da organização e do trabalhador, critérios de seleção, informações, treinamento e Certificado de Aprovação.
Já a NR 15 aplicada ao ruído ocupacional estabelece, em seus anexos, limites de tolerância para diferentes formas de exposição.
O que a NR 6 exige
A NR 6 determina que a organização adquira EPI aprovado, oriente e treine o trabalhador, forneça gratuitamente EPI adequado ao risco nas situações previstas, registre o fornecimento, exija o uso, cuide da higienização e manutenção quando aplicável e substitua o equipamento quando necessário.
A seleção deve considerar atividade, risco, eficácia, exigências normativas, adequação ao trabalhador, conforto e compatibilidade com outros EPIs.
Para aprofundar as obrigações gerais sobre EPI sem transformar esta página em um guia completo da norma, consulte também o conteúdo específico sobre NR 6 e Equipamentos de Proteção Individual e, para a versão legal vigente, a página oficial do Ministério do Trabalho e Emprego.
O que a NR 15 estabelece para ruído
O Anexo 1 da NR 15 apresenta limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente. Entre os valores da tabela oficial, 85 dB(A) correspondem a uma máxima exposição diária permissível de 8 horas; 90 dB(A), a 4 horas; 95 dB(A), a 2 horas; e 100 dB(A), a 1 hora.
Esses valores não devem ser transformados em uma regra simplista de compra de protetor, porque a avaliação da exposição e a seleção do EPI exigem análise técnica do contexto.
| Nível de ruído contínuo ou intermitente | Máxima exposição diária permissível no Anexo 1 da NR 15 |
|---|---|
| 85 dB(A) | 8 horas |
| 90 dB(A) | 4 horas |
| 95 dB(A) | 2 horas |
| 100 dB(A) | 1 hora |
| 105 dB(A) | 30 minutos |
A tabela completa e os critérios oficiais devem ser consultados no texto vigente da NR 15 no Ministério do Trabalho e Emprego. A página específica da Super SIPAT sobre NR 15 pode aprofundar a norma; aqui, o objetivo é somente explicar sua relação com o uso do protetor auricular.
Como transformar o uso do protetor em uma dinâmica na SIPAT?
A Super SIPAT trabalha com uma abordagem em que informação técnica e experiência de palco caminham juntas. Para este tema, uma dinâmica segura e coerente é transformar os erros de colocação em uma pequena cena de “auditoria do ajuste”: um ator ou instrutor aparece usando o protetor de forma propositalmente incorreta e o público precisa identificar o que está errado antes que a equipe demonstre a correção.
Cena 1: encontre o erro
O personagem pode usar um protetor tipo concha com cabelo preso entre a almofada e a cabeça, haste mal regulada ou uma concha parcialmente fora da orelha. O público aponta os problemas e o instrutor explica por que cada um pode prejudicar a vedação.
Cena 2: o plug certo, do jeito certo
Na segunda parte, a equipe mostra um plug moldável e um pré-moldado para destacar que “plug” não é uma técnica única. O público aprende que comprimir e rolar é procedimento típico de determinados modelos de espuma, enquanto outros protetores devem seguir seu próprio método de colocação.
Cena 3: do palco para o posto de trabalho
O fechamento deve conectar a brincadeira ao procedimento real da empresa: qual protetor é fornecido, onde consultar o CA, quem procurar quando houver desconforto ou dano e qual instrução deve ser seguida.
Essa ancoragem técnica evita que a dinâmica vire apenas entretenimento e ajuda a transformar a lembrança da cena em comportamento seguro.
Não é recomendável criar uma demonstração expondo pessoas a ruído intenso para “testar” a diferença com e sem protetor. A atividade pode ensinar ajuste, seleção e percepção de erros sem gerar exposição desnecessária.
Quando o protetor auricular deve ser trocado ou avaliado?
Não existe uma única periodicidade de troca válida para todos os protetores auriculares. Material, frequência de uso, suor, poeira, produtos químicos, limpeza, armazenamento e orientação do fabricante influenciam a vida útil.
Por isso, a SIPAT deve ensinar sinais de inspeção e o procedimento interno para solicitar avaliação ou substituição.
- espuma que não recupera mais o formato ou apresenta sujeira que não pode ser removida conforme a orientação do fabricante;
- plug pré-moldado ressecado, rasgado, deformado ou com flange danificada;
- almofada de concha rachada, endurecida ou deformada;
- haste sem pressão suficiente, quebrada ou com ajuste comprometido;
- desconforto persistente, dor ou dificuldade de manter o protetor na posição;
- qualquer alteração que torne o EPI impróprio para a finalidade a que se destina.
O trabalhador deve comunicar problemas no EPI e seguir as orientações da organização. A empresa, por sua vez, deve manter os procedimentos de manutenção e substituição aplicáveis e assegurar que as informações de uso estejam alinhadas ao manual do fabricante ou importador.
Por que o ajuste correto é mais importante do que apenas entregar o EPI?
Entregar o protetor é uma etapa; garantir que ele seja adequado ao risco e usado corretamente é outra. Estudos e avaliações do NIOSH mostram que a atenuação obtida no uso real pode variar bastante quando o protetor de inserção está mal colocado ou não se adapta corretamente ao usuário. Essa é uma razão prática para incluir demonstração, observação e correção de ajuste em ações educativas.
Durante a SIPAT, o tema ganha força quando o colaborador consegue relacionar a norma ao próprio posto de trabalho.
Em vez de decorar números, ele precisa sair sabendo qual protetor usa, como colocá-lo, como identificar um problema, quem procurar e por que não deve improvisar. Esse é o ponto em que a informação técnica deixa de ser uma regra abstrata e passa a orientar comportamento.
Com seleção adequada, treinamento, uso correto, conservação e medidas de prevenção integradas, a empresa reduz o risco de transformar a exposição ao ruído em perda auditiva evitável.
A projeção da OMS divulgada pela OPAS reforça a relevância da saúde auditiva: a estimativa é que cerca de uma em cada quatro pessoas viva com algum grau de perda auditiva até 2050.
No trabalho, prevenção não depende de um único equipamento, mas o protetor auricular correto, bem selecionado e bem utilizado, é uma parte importante desse sistema.


















